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Ana Maria Silva, candidata barcelense a deputada pelo PS
“Não fui desleal com o PS Barcelos”

Entrevista na íntegra a Ana Maria Silva, candidata a deputada pelo PS.

Ana Maria Silva, 61 anos, integra a lista do PS pelo círculo eleitoral de Braga, em 9º lugar, para as Eleições Legislativas de 6 de Outubro, depois de ter avançado contra Manuel Mota, presidente do PS Barcelos, não ter sido a mais votada pelos órgãos locais, mas ter sido a escolha da distrital, que a colocou em 5º. Depois de a Nacional ter avocado o processo, foi “empurrada” para 9º e, agora, promete que a defesa do novo hospital será uma “questão de honra”.

 

 

 PERFIL

Ana Maria Silva trabalha na área da saúde e da acção social, há 37 anos. É presidente da Associação Nacional AVC, sedeada no concelho.

Politicamente, faz parte do Secretariado da Secção do PS Barcelos, é secretária da Assembleia Municipal e foi vereadora da Acção Social e Saúde Pública, entre 2009 e 2013, no primeiro mandato do PS.

 

Porque decidiu, à última da hora, propor-se à Comissão Política do PS como candidata a deputada, concorrendo contra os nomes avançados pelo secretariado local, Manuel Mota, Rita Torre e Ivone Baptista, e depois de no mesmo dia ter subscrito esta candidatura?

Penso que, dadas as circunstâncias, e em consciência o devia fazer. Porque sabia-se, dadas as circunstâncias, que uma mulher teria mais hipóteses de ir em lugar elegível na lista pela distrital. E dessa forma, atendendo aquilo que é o meu perfil, à necessidade que tenho de me sentir activa, participativa, e porque faz parte de mim não ser indiferente aquilo que acontece, decidi a minha candidatura.

 

Mas porquê foi à última da hora, atendendo a que essa questão de uma mulher ficar num melhor lugar já se sabia na altura?

Sim, mas tomei conhecimento de que não havia candidaturas de mulheres no concelho de Barcelos, apenas dois homens.

 

Mas a candidatura de Manuel Mota tinha duas mulheres também.

A candidatura é individual, que eu tenha conhecimento.

 

Qual seria, no seu entender, a pessoa que estaria melhor colocada para ser candidata por Barcelos, a dra. Armandina?

Sou franca, não me ocorreu esta situação precisamente a pensar que as duas vereadoras que estão no Município, a dra. Armandina Saleiro e a dra. Anabela Real, poderiam ser as candidatas a deputadas.

 

E acha que teriam condições para o ser?

Como qualquer militante do PS…

 

Sim, mas com um presidente da Câmara em prisão domiciliária, acha que seria benéfico para o Executivo a ida de uma vereadora para a Assembleia da República?

Sobre isso não me vou pronunciar porque penso que qualquer militante e mulher se poderia apresentar como candidata.

 

Acha, então, que Manuel Mota não reunia as condições para ser deputado.

Não quero propriamente referir-me a essa questão porque qualquer militante poderia ser candidato. O que sabíamos era que, dadas as circunstâncias, uma mulher teria mais hipóteses de ir em lugar elegível.

 

A sua decisão foi coordenada com alguém da distrital?

A minha decisão não teve qualquer tipo de coordenação porque fiz isto em consciência, depois de uma abordagem mais global sobre a situação que estava a ocorrer em Barcelos. 

 

O seu nome foi aprovado pela distrital em 5º lugar, um lugar de eleição garantida, a nacional avocou o processo e Barcelos caiu para 9º. Mesmo com esta decisão, decidiu manter-se na lista. Porquê? Não acha que foi uma desconsideração da Nacional para com Barcelos?

Foram cumpridos os estatutos do PS. Penso que é uma prática da Nacional meter os elementos que entende pela quota nacional e fazer a distribuição. Não é uma questão que me preocupe.

 

Mas acha que o 9º lugar é o lugar que Barcelos mereceria?

Desde que Barcelos tenha possibilidades e probabilidades, que penso que é o que vai acontecer, de ter um deputado eleito, já é muito bom.

 

Ao não ser apoiada pelos actuais dirigentes locais do PS, sente-se uma terceira ou quarta escolha?

Pelo contrário. Não me sinto nada desapoiada pelo PS. Somos muitos militantes em Barcelos e não me faltam apoios, de vários quadrantes. Tenho como grandes apoios o dr. Alexandre Maciel, o Armindo Vilas Boas, a nossa mandatária, Júlia Costa.

 

Mas a nível concelhio tem os apoios da oposição ao actual poder em Barcelos. Sente-se confortável com isso?

Estou convencida de que todos os socialistas, chegando ao dia 6 de Outubro, vão votar no PS. E não queria muito entrar nessa divisão de uns contra e outros a favor. Todos somos importantes e válidos.

 

Na altura da sua apresentação, convidou ou coordenou algo com os órgãos locais do PS?

A apresentação foi pensada por mim e pelo Casimiro, que somos os dois candidatos, e pensámos fazê-la por nós próprios, dizendo que tipo de campanha é que íamos fazer, de proximidade.

 

O presidente da Câmara, num artigo de opinião publicado no Barcelos Popular, falou da sua atitude como uma irresponsabilidade e uma deslealdade. Sente que foi desleal com o PS local?

Não. Não fui desleal. Fiz aquilo que em consciência devia fazer. Aliás, quando recebi a convocatória para ir a uma Comissão Política, a própria convocatória nos convocava para, caso estivéssemos interessados, nos disponibilizarmos para uma candidatura e foi isso precisamente que fiz.

 

Mas na altura em que subscreveu a candidatura de Manuel Mota, fê-lo porque pensava que ainda iria aparecer a candidatura de uma mulher?

Não. Sabia que não havia mulheres candidatas. Mas nada me move pela negativa nem contra quem quer que seja. Estou aqui para dar o meu contributo.

 

Quais são os principais projectos que vai defender para Barcelos caso seja eleita deputada?

O que me alicia é que no início desta legislatura ninguém acreditaria que seria possível o fim da austeridade. O PS, nesta fase, apresenta-se como um partido que cumpriu com as promessas eleitorais e realmente para mim isso é algo de novo na democracia, como a redução do défice, permitindo um investimento em áreas que promovam o desenvolvimento do país. A criação dos 350 mil postos de trabalho, acabar com a precariedade no trabalho, com 90% dos contratos que são feitos já são sem termo. Portanto, há aqui uma série de políticas que foram implementadas que nos puderam mostrar que podemos melhorar, ter mais qualidade de vida, uma economia a crescer, as pessoas livres do problema de não terem rendimentos para viver. Sabemos que 382 mil pessoas saíram daquilo que consideramos o limite da sua condição de precariedade em termos do que é o básico para viver. Na saúde, tivemos a eliminação das taxas moderadoras, o aumento do número de pessoas que ficam com a isenção da taxa moderadora. Há aqui uma recuperação do ponto de vista económico e do desenvolvimento social que é notável. E tudo isso faz com que nós, pensando que, anteriormente, tivemos uma legislatura que conseguiu colocar-nos, de uma forma dramática, sem condições para ter emprego, jovens a terem que emigrar, tudo isto faz com que uma pessoa se mova, se mexa.

 

O Bloco e o PCP dizem que muitas dessas conquistas são mais mérito deles do que do PS. Acha que é preferível para o país uma maioria absoluta do PS ou a repetição de uma geringonça à esquerda, com cedências de ambas as partes?

Defendo muito aquilo que o nosso secretário-geral tem dito. Pedimos o voto aos portugueses e será esse o resultado que vai ditar a forma como a Assembleia da República se vai organizar e funcionar. Porque também como disse António Costa, as maiorias absolutas, por vezes, não trazem boa memória. O que temos que pedir às pessoas é que votem naquilo que entenderem que é melhor para elas. Temos que criar uma sociedade que responda a todos, que seja inclusiva, e é para isso que os políticos servem.

Claro que esta legislatura foi muito importante para nós e só provou uma coisa: as alianças feitas à esquerda são boas para os portugueses. Temos a menor taxa de desemprego, passámos dos 12% para quase 6%; o aumento das pensões, dos abonos de família, agora a prestação social da inclusão, que são tudo oportunidades para as pessoas terem mais rendimento para que possam viver melhor.

 

Relativamente ao concelho de Barcelos, que temas é que vai levar para a Assembleia da República?

Porei em primeira-mão a questão do nosso Hospital. É para mim uma questão de honra lutar para que Barcelos tenha um novo hospital. Precisamos de novas condições, em termos de espaço e pensamos, também, nos cuidados de saúde primários. É fundamental que não sejam só os cuidados indiferenciados o nosso foco, mas também os primários, fortalecendo a rede. O PS também investiu na saúde, como na educação, há cem novas unidades de saúde familiares, o que é muito importante porque são as primeiras linhas de apoio.

 

Na questão da Linha de Muito Alta Tensão, acha que o Município, ao nível da Câmara e da Assembleia, tem agido de forma eficaz?

Vamos ouvir as pessoas, afecta o dia-a-dia de cada um de nós. Penso e espero que se resolva bem.

 

Sobre a reforma das freguesias, qual a sua posição?

O PS é a favor da reversão da reforma.

 

Que avaliação faz do Governo PS?

Muito boa. Eu, como assistente social, lido de muito perto com as situações de carência. Temos agora o Estatuto do Cuidador Informal, que vai ser regulamentado, e que é fundamental. Temos muitos cuidadores, entre 230 a 240 mil pessoas que são cuidadas por outras. Nesta questão há, agora, a possibilidade de um subsídio para o cuidador informal, a possibilidade de ter um descanso, uma carreira contributiva e de a pessoa poder, em termos laborais, conciliar a prestação de cuidados com a sua vida profissional.

 

O PSD diz que o Serviço Nacional de Saúde nunca esteve tão frágil como agora, que nunca houve tantas notícias como agora, de mau funcionamento de hospitais e centros de saúde.

Não concordo. Viemos de uma situação de austeridade, onde tudo foi cortado, inclusive postos de trabalho e o não investimento das infraestruturas. Tudo isto tem reflexos. É evidente que o PS quando assume esta legislatura propõe-se evoluir e evoluiu, mas o trabalho não está feito. Claro que é preciso investimentos e outro tipo de respostas, pensando nós que o paradigma da saúde está a mudar. Estávamos muito focados no internamento e hoje sabemos que é preciso apostar nos cuidados de saúde primários, enquanto o doente não necessita de cuidados especializados e evitar o internamento. Temos projectos-piloto já implementados, como a chamada a hospitalização domiciliária, em que todos os serviços médicos e farmacêuticos são assegurados pela estrutura hospitalar em casa. Isto é um ganho enorme, porque as infecções hospitalares são um grande problema. Não esquecendo, também, os investimentos nas redes sociais e estruturas de apoio, para que a pessoa quando vai a casa do doente tenha também complementos dos apoios sociais, como a higiene pessoal, a alimentação e o cuidador. Há, também, a questão demográfica, e o PS propõe implementar respostas à medida da evolução demográfica da população.

Depois, uma das grandes mudanças feitas pelo PS, nesta legislatura, foi que, pela primeira vez, há a cooperação de dois ministérios, o da Saúde e da Segurança Social, criou-se a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, que responde a um grande leque de pessoas em situação de doença de grande ou menor dependência. Até aqui não havia respostas, após a alta hospitalar, o doente ia para o domicílio com apoios do centro social ou centro d saúde, que são insuficientes. E também melhorou a política da saúde mental, que é um dos grandes problemas do país e do mundo, a questão das demências e das doenças degenerativas, havendo já vários projectos, como a autonomização dos doentes em apartamentos, após o internamento.

 

Acha que a Câmara pode ser bem gerida com um presidente em prisão domiciliária?

Estou candidata por Braga pelo PS e a minha grande aspiração agora é no dia 6 de Outubro conseguirmos um resultado bom para continuarmos a ter o PS na governação do país.

  

Foi vereadora no primeiro mandato do PS. Quem mandava verdadeiramente na Câmara: Miguel Costa Gomes ou Domingos Pereira?

Na política considero que há o antes e o depois. Na época fez-se aquilo que devia ter sido feito e foi possível fazer.

 

Mas quem mandava verdadeiramente?

A Câmara tem um Executivo e todos são capazes de colaborar nas decisões. A Câmara é um órgão colegial.

Autor: Pedro Granja
Quarta-feira, 02 de Outubro de 2019 - 09:51:53

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