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GSM FEST 2011
Diversão por uma boa causa

Mais de 2500 pessoas e 40 bandas estiveram no GSM FEST 2011, no Eirogo.

Se em Junho de 2008 era ainda um sonho, hoje o Festival GSM – Gallus Sonorus Musicallis –, que se realiza há quatro anos em Galegos Santa Maria, já integra o prestigiado cartaz nacional dos festivais de Verão, ao lado dos maiores como o Sudoeste TMN ou o Super Bock Super Rock.

Nasceu com o principal objectivo de ajudar o núcleo de Barcelos da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), que vivia com sérias dificuldades económicas. "Era preciso fazer qualquer coisa pelos mais carenciados. Ultimamente, já não recebíamos tantos cabazes do Banco Alimentar. A crise existente obrigou-nos a pôr mãos à obra e esta ideia surgiu numa reunião ordinária", comentou um dos membros da organização, Paulo Abreu, em Setembro de 2008, ano da primeira edição do evento. Desde aí, as verbas angariadas – 10.000 euros em três anos – foram convertidas em bens alimentares e outros serviços e oferecidos às famílias de doentes paramiloidóticos. Afinal, o slogan "Por uma boa causa" tem por base esse "desígnio nobre e altruísta".

Cartaz com bandas

de renome

Para além da razão solidária, este festival pretende ser também uma forma de divulgação de "boa música". Se em 2008 passaram por Galegos Santa Maria bandas como "ColdFear" ou "Shamans of rock", em 2009, "Mosh" ou "Heavenwood" e em 2010 "Gene Loves Jezebel", este ano, "partiram tudo". Estiveram presentes 40 bandas, entre nacionais e internacionais, que proporcionaram um dos melhores cartazes a nível nacional. Em quatro dias – 16, 17, 18 e 19 de Junho – passaram pelos três palcos existentes bandas como " The Parkinsons", "Paradise Lost", "Godog", "More than a thousand" ou "Church of Misery", entre outras. "The Parkinsons" nasceu a partir do final da banda de Coimbra "Tédio Boys". Fizeram de Londres a sua cidade oficial e brilham com o albúm "Reason to Resist". Os "Paradise Lost" são ingleses, "formaram a base do gothic metal" e levaram ao aparecimento "do sub-estilo death/doom metal". De Barcelos, a banda "Godog" arrasou com o seu metal influenciado por outros estilos musicais que vão desde a música celta ao jazz. O violino é cunho pessoal e "Tell Me a Story" foi o álbum lançado em Fevereiro deste ano. Outras das bandas que chamou muitos fãs foi "More Than a Thousand". Juntos desde 2001, já subiram ao Pavilhão Atlântico para fazer a abertura dos "Incubus", em 2006 e dos "30 Seconds To Mars", em 2010. "Church of Misery" veio do Japão e as suas músicas "falam sobre serial killers como Charles Manson, Ted Bundy ou Charles Whitman". Pelo maior festival de beneficência do país passaram ainda muitos Djs como António Freitas, Fábio Vasquez ou Fernando Alvim, entre outros.

Entretenimento foi outro dos objectivos

Diversão também não faltou para os lados de Galegos Santa Maria. Torneios de paintball, bodypainting, slide e parede de escalada foram as actividades radicais oferecidas aos amantes de desporto e disponíveis durante o dia.

Do Campo da Devesa para as Termas do Eirogo

Nos últimos três anos, o GSM Fest teve como palco o campo de jogos da Devesa, este ano o local escolhido foram as Termas do Eirogo, um espaço mais amplo e apropriado para um festival desta envergadura. A ideia foi também ser um "pré anúncio de volta à actividade deste valiosíssimo recurso natural de Galegos Santa Maria" que, a médio prazo, proporcionará os tratamentos termais de outros tempos.

Dia Nacional da Paramiloidose assinalou-se na quinta-feira

Comemorou-se na passada quinta-feira, 16 de Junho, o Dia Nacional da Luta Contra a Paramiloidose, comummente conhecida como a "doença dos pezinhos" e cuja designação mais rigorosa é Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), uma doença neurológica, rara e hereditária, que se transmite por via genética. Ocorre quando o fígado produz uma substância fibrilar altamente insolúvel denominada por amilóide, que se deposita nos tecidos e causa a morte celular progressiva, com a consequente perda de funções.

Surge geralmente entre os 25 e os 35 anos, com sintomas que afectam o sistema nervoso periférico nas vertentes motora, sensitiva e autonómica, afectando sobretudo os membros inferiores, daí o vulgo "doença dos pezinhos".

É uma patologia crónica, altamente incapacitante, que quando não é tratada é fatal, em geral após dez anos de sofrimento e incapacidade progressiva. A possibilidade terapêutica mais viável tem sido o transplante do fígado, que possibilita a estabilização da sintomatologia, mas a esperança dos paramiloidóticos reside agora no Tafamidis, um fármaco que evita a transplantação hepática mas que ainda não está disponível em Portugal.

A Associação Portuguesa de Paramiloidose calcula que, no nosso país, existam cerca de duas mil pessoas afectadas pela doença, mas estima que haja mais seis mil casos assintomáticos, ou seja, que têm o gene mutante mas ainda não têm manifestações clínicas da patologia.

Barcelos tem 300 paramiloidóticos identificados

Portugal tem a maior incidência a nível mundial, daí a doença ser considerada um problema de saúde pública grave, fortemente concentrada na Póvoa de Varzim e em Vila do Conde. Há ainda casos sinalizados em Braga, Figueira da Foz, Lisboa, Seia, Unhais da Serra e Barcelos, concelho onde a incidência é muito significativa, nomeadamente nas freguesias de Galegos Santa Maria, Galegos S. Martinho, Abade de Neiva, Arcozelo e Barcelos (cidade). No núcleo local da APP estão identificados mais de 300 paramiloidóticos, de 49 freguesias, sendo que 86 destes já são transplantados.

A associação dá um importante contributo aos doentes e às famílias, nomeadamente no transporte para as consultas e tratamentos, na distribuição de cabazes alimentares mensais e no apoio e aconselhamento psicológico. A este nível, João de Deus, presidente da APP local, destaca "a informação e o encaminhamento que prestam aos casais para terem filhos saudáveis", uma realidade "ainda muito cara mas possível".

Sobre o GSM Fest, congratula-se pela "excelente iniciativa" que apoia e dá um dia-a-dia mais risonho a todos os que sofrem com a "doença dos pezinhos". "O núcleo está reconhecido e agradece o trabalho e a dedicação dos GSM, que trabalham por amor a esta causa. Cada vez é mais difícil angariar verbas, há muitas famílias a passar necessidade envergonhada, pelo que o dinheiro que vem do festival é uma grande ajuda", referiu.

Adesão ficou um pouco aquém das expectativas

Cerca de 2500 pessoas passaram pela Central Termal do Eirogo ao longo dos quatro dias que durou o GSM Fest 2011, considerado já o maior festival residente do concelho. A participação ficou um pouco aquém das expectativas do grupo GSM Activo, que nesta edição esperava ter chegado às 3500 presenças. "O número de participantes ficou um pouco abaixo do esperado, estávamos a contar com mais adesão, ainda assim o balanço que fazemos é claramente positivo", referiu no final Paulo Abreu, em nome da organização. Sobre as razões da adesão menos conseguida, frisou que "agora será feita uma análise" para ver o que terá "corrido menos bem para não repetir no próximo ano".

Questionado sobre se a altura foi a mais adequada, esclareceu que a data não foi escolhida ao acaso e que o evento arrancou a 16 de Junho, quinta-feira, precisamente o dia em que se celebrou o Dia Nacional da Luta Contra a Paramiloidose. Por outro lado, foi também uma forma de integrar e abrir o roteiro oficial de festivais de Verão. "O festival já é uma referência nacional no segmento e isso já é uma grande vitória para nós. Chegamos à imagem ideal, agora queremos continuar a crescer e a promover a marca".

À notoriedade do evento não está certamente alheio o "grande e nobre" objectivo que está na sua génese: "A missão do GSM é ajudar quem mais precisa, nomeadamente a APP, essa é a nossa principal luta desde o início e continuará a ser assim. Através do festival conseguimos angariar fundos para dar um futuro melhor aos doentes e às famílias com paramiloidose, divulgamos a patologia, promovemos bandas nacionais e internacionais e proporcionamos cultura e entretenimento". Entretanto, o valor angariado está a ser apurado e será conhecido brevemente. Quanto a outros pontos fortes, destacou a escolha acertada nas bandas convidadas – grande parte nomes de peso da música actual – e a mudança de local: "Os espectáculos foram excelentes, toda a gente gostou, correu tudo muito bem. O espaço é maior e tem óptimas condições, é muito mais festivaleiro. Penso que agradou a todos e será para continuar aqui".

Foto: Ricardo Machado

Autor: Edite Miranda/Filipa Oliveira
Quarta-feira, 22 de Junho de 2011 - 14:28:20

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