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Entrevista a Telmo Correia, candidato a deputado pelo CDS
“Este Governo teve momentos de incompetência e de compadrio absolutamente inqualificáveis”

Entrevista na íntegra a Telmo Correia, candidato a deputado pelo CDS.

Telmo Correia, 59 anos, cabeça de lista do CDS por Braga, diz que, embora seja de Lisboa, conhece melhor o distrito pelo qual se candidata do que qualquer outro do país. Espera manter os dois eleitos centristas, nas Legislativas de 6 de Outubro, mas reconhece que o partido cometeu erros nas Europeias. Mesmo assim, diz não fazer sentido a manutenção de uma maioria parlamentar de esquerda.

 

CAIXA Perfil:

Telmo Correia é deputado há praticamente duas décadas. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, exerceu pouco tempo, devido à política que lhe ocupou, desde novo, o seu tempo. É a quarta vez consecutiva que é o primeiro candidato do CDS por Braga. Foi líder parlamentar duas vezes, vice-presidente da Assembleia da República, Ministro do Turismo e é, actualmente o n.2 da bancada centrista.

É comentador de futebol na comunicação social.

 

Sendo de Lisboa, por que é que se candidata por Braga? Faltam quadros ao CDS em Braga ou trata-se de um distrito onde faz falta alguém com notoriedade nacional, como tinha Nuno Melo?

Em primeiro lugar, o CDS tem uma tradição, praticamente desde 1975, que mantém até hoje, que é a de ter, naqueles que são os distritos de referência, como Braga, as chamadas figuras do partido. O primeiro cabeça de lista por Braga foi Adelino Amaro da Costa, um alentejano de Odemira. Basílio Horta, Nogueira de Brito, Ribeiro e Castro também foram. Diria mesmo que o único nascido e criado no distrito de Braga foi Nuno Melo. Foi a própria distrital, na altura, que me propôs, por eu ter cá estado muitas vezes, com aquele que era presidente da distrital na altura, o Nuno Melo, houve uma certa inclinação para que fosse eu. E por que é que continuei a ser? Porque correu sempre bem. Ou seja, o CDS até aqui, há décadas que só elegia um deputado, e com a minha vinda passámos a ter um deputado, figura nacional, e um segundo deputado mais ligado ao distrito.

 

Esses resultados, consigo a encabeçar a lista, o CDS passar a eleger dois deputados por Braga, afasta um pouco aquela ideia de que é um paraquedista que só vem cá na altura das eleições?

Na primeira vez, defrontei aqui um ex-líder do partido |Manuel Monteiro| que usava muito essa expressão. Nós tivemos praticamente 10 por cento e ele 0,4%, salvo erro. A gente pode usar a expressão “paraquedista” uma vez. Agora, um paraquedista que já está no terreno há dez anos, já passou a infantaria, de certeza absoluta. Já está noutras funções, às vezes de comando outras vezes de infantaria. Ou seja, já lá vão dez anos de andar pelo distrito, de conhecer os problemas das pessoas, de as representar.

 

Conhece melhor o distrito agora do que em 2009.

Muito melhor que outro distrito do país, inclusivamente Lisboa onde, fruto do meu trabalho, tenho a minha residência.

 

Qual é o vosso objectivo eleitoral, agora que avançam sozinhos, sem a coligação com o PSD? Manter os dois deputados de 2015?

Desde 2009 que elegemos dois, como lhe disse. Portanto, o meu objectivo é o de eleger dois deputados. Sabemos, e não sou irrealista, que viemos de um resultado que não foi bom, nas Eleições Europeias, e que algumas projeções apontam que desta vez poderá ser um pouco mais difícil. Mas esse tem que ser o nosso objectivo.

Desta vez, como foi definido pela presidente do partido e pelo presidente da distrital, só o cabeça de lista é que é indicado pela nacional, o nº2 foi indicado pela distrital, e para mim é muito importante que o dr. Tiago Ferreira me acompanhe para a Assembleia da República.

 

É uma lista representativa do distrito.

É. Em terceiro lugar está a dra. Ângela Oliveira, uma vimaranense de cepa, com participação autárquica. Em 2015 a minha número de 2 tinha sido a dra. Vânia Dias da Silva, também vimaranense. A lista é quase toda composta por gente com quem já trabalho há mutos anos, pessoas com participação local, autárquica ou associativa. 

 

Falou aí nas últimas Europeias, as sondagens também não auguram nada de bom para o CDS. Também na Madeira perderam muitos deputados, apesar de ter sido a derrota mais vitoriosa do CDS, porque o futuro Governo passará sempre por vocês. O que é que se passa com o CDS? Nas últimas Autárquicas Assunção Cristas teve um bom resultado em Lisboa, mas entretanto o CDS está a vir por aí abaixo.

Não sei se o CDS está a vir por aí abaixo ou por aí a cima. Tenho esperança que esteja a ir por aí acima. Que já desceu o que tinha para descer e que esteja agora a subir outra vez.

 

Mas qual é a sua explicação?

Isso é muito difícil. Nas Europeias foram umas eleições em que houve uma desmobilização grande do eleitorado de centro-direita e houve alguns factores que acho muito negativos que tiveram um peso muito negativo, como a célebre questão dos professores. Acho que se passou uma mensagem errada, houve um problema de comunicação e até anterior, de decisão errada.

 

Essa questão mostrou a habilidade de António Costa e a inabilidade de Assunção Cristas?

A habilidade de António Costa é uma coisa que conheço desde os tempos da faculdade, porque fui adversário dele, directo, desde o tempo das eleições académicas. Agora, uma coisa é ter habilidade, outra é ter talento e sentido de Estado. Acho que ele aproveitou uma realidade em que os grupos parlamentares, mais do que as próprias lideranças dos partidos, não foram claros. A nossa proposta estava lá, com as condicionantes que tínhamos, ou seja aquele acordo só seria possível num quadro de melhoria da situação económica, mas isso caiu um bocado, não se percebeu e permitiu ao primeiro-ministro fazer um aproveitamento, algo ilusionista como são grande parte das coisas que ele faz. Ele, de resto, é um bom ilusionista. Lembro-me de no primeiro debate que tive com ele no parlamento ter-lhe dito que achava que ele tinha grande talento para ilusionista e que tina agora duas parteners muito adequadas para a função, o Bloco de Esquerda e o PCP, Portanto, ele criou a ilusão de uma crise política não ia existir. Mas isso foi muito prejudicial. Mas não foi só isso que levou ao resultado do CDS. A nossa campanha também não correu muito bem, se calhar não estava bem organizada, não gostei da imagem gráfica que utilizámos, por exemplo.

O caso da Madeira é circunscrito à ilha. Acho que o CDS vale mais do que o resultado eleitoral que teve, mas o caso é muito fácil de explicar. O PS encontrou pela primeira vez uma figura para protagonizar a candidatura ao Governo, foi uma candidatura muito personalizada, houve uma bipolarização enorme, quase como se fosse a eleição para presidente de Câmara, com duas pessoas em disputa. Mas o CDS foi o partido que se aguentou melhor, porque a CDU foi praticamente varrida e o Bloco completamente varrido do mapa.

A chegada ao Governo pode vir a ser o prémio dessa resistência. Apesar de tudo, eu diria: essa situação para a Madeira se se reflectisse no país, era má? Não. Ou seja, a hipótese de um Governo centro-direita, a hipótese de pôr termo à geringonça, a hipótese de o CDS participar numa solução de Governo, seria boa para o país.

 

Utilizando uma linguagem futebolística, acha que a direita ainda pode fazer uma remontada?

Acho que é possível recuperar e acho que é isso que está a acontecer. Pela primeira vez na nossa história constitucional, quem ganhou as eleições não teve hipótese de governar. Ninguém impediu o PS de governar quando teve governos minoritários. Acho que isso foi negativo. O lado positivo da coisa, é que acabou a ideia do voto útil e todas as maiorias contam, o que conta é a maioria que se vai formar no parlamento.

Nós, CDS, fazemos esta campanha sob o lema “Assim faz sentido”, e acho que premiar um Governo e uma maioria que teve os erros que teve, que foi a maioria mais à esquerda que o país conheceu depois do 25 de Abril, que teve momentos de incompetência e de compadrio absolutamente inqualificáveis, e achar que essa maioria pode e deve ser premiada. Para mim não faz muito sentido.

Na Europa, os partidos tradicionais do centro direita têm perdido votos para os novos partidos ou movimentos também de direita, e não forçosamente de extrema-direita.

Ou seja, o equilíbrio esquerda-direita mantém-se, em Portugal não.

 

Aqui não vemos nem o Iniciativa Liberal nem o Aliança a crescer.

Não. As novas formações não parecem que vão crescer. Sou radicalmente democrata, não acho que se deva criticar os novos partidos, sou absolutamente a favor. Mas temos de dizer aos eleitores para terem em atenção as dispersão de votos, que foi o que aconteceu nas Europeias, e que fez a diferença entre um bom resultado para o CS, a eleição de dois deputados. Temos de pedir aos eleitores para que, num momento de incerteza, num país desequilibrado à esquerda, é preciso concentrar os votos na sua família política. Aliás, acho a conversa da maioria absoluta do PS um bocado espúria. O que é que houve nestes quatro anos? Houve uma maioria absoluta, um governo em que aconteceram tragédias que nunca tinha acontecido no país, como os grandes incêndios de 2017, onde o Governo teve culpa a culpa pela incompetência com que a matéria foi gerida. Qual a diferença de haver maioria ou não? Ouviu-se alguém dos partidos de esquerda a criticar? Eu não. Só na altura das eleições é que descobririam que são adversários. A grande virtude desta maioria de esquerda é a hipocrisia. Hoje em dia PCP e Bloco parece que são da oposição, mas estiveram lá quatro anos e não se aperceberam da incompetência do Governo. No Governo anterior, que teve de governar com a troika, qualquer acidente que houvesse ou até uma crise de gripe mais grave, o Governo é que tinha a culpa. Durante estes quatro anos, os partidos que eram especialistas da denúncia, do dedo apontado, lidam bem com tudo o que aconteceu.

 

Mas admite fazer parte de um Governo em que o partido mais votado não tenha ganho as eleições?

O sistema político mudou. A nossa expectativa na altura era baixa, porque sabemos o que foram aqueles anos. O país viveu situações dramáticas, com a troika, provavelmente também se cometeram erros. As sondagens davam a vitória ao PS, o termos ganho foi uma surpresa e com a possibilidade de podermos, finalmente, dar alguma coisa às pessoas, às famílias, não nos deram essa hipótese, foi um choque.

Agora eu estaria disponível em participar numa maioria que não fosse de centro direita ou que integrasse partidos socialistas? Não. As maiorias têm que ser coerentes.

 

Na conferência de imprensa, falou na questão do novo hospital de Barcelos, mas no vosso programa distrital só fala no fim da PPP do Hospital de Braga. Qual a vossa posição sobre o não avanço do novo hospital de Barcelos, que já contou com sucessivos governos de direita e esquerda?

Para nós é uma questão importante. Esta maioria, supostamente, era a maioria a favor do investimento público. É evidente que no tempo da troika não era possível fazer avançar este investimento. Mas agora é possível, parece-nos uma situação grave. Neste mandato já visitei três vezes o Hospital de Barcelos e sempre para dizer o mesmo: tem um corpo clínico absolutamente extraordinário, faz milagres. Tem soluções inovadoras e que são exemplo para o país. O sistema de encaminhamento dos doentes quando não são urgentes para as unidades de saúde familiares, a domicialização hospitalar, com o doente a ter tratamento médico em casa, é outra medida inovadora. O grande problema do Hospital de Barcelos é a limitação estrutural de um edifício que tem séculos. A única boa solução é um novo hospital. Já existe um compromisso municipal de garantir os terrenos, o governo já chegou a anunciar, mas o investimento público do PS no papel é dos melhores do mundo. No terreno é que não é nada.

 

O CDS defende um modelo totalmente público ou está aberto a parcerias com outros sectores?

Se a solução para se fazer o novo hospital for uma PPP, por que não? A PPP de Braga foi um sucesso. Venceu essas resistências iniciais e no fim o corpo clínico aumentou para o dobro, os utentes que diziam que estava tudo bem. Visitámos, há meses, nas jornadas parlamentares, e está no topo dos rankings.

Foi decidido não renovar, e gestão acabou revertida para o público. Nas PPP’s não há só exemplos negativos.

 

Não tem amarras ideologias nesta matéria.

Não temos, e defendemos uma ideia que é o estado social de parceria. O que tem que ser garantido é o aceso aos serviços. Se são prestados pelo público, ou privado é indiferente, desde de que a contratualização pelo Estado não faça disparar o preço. Se houver instituições que tenham capacidade instalada e contratualize um preço razoável com o público, e os utentes em vez de ficarem 18 meses à espera de uma primeira consulta forem atendidos muito mais rápido por outra instituição, por que não? Também defendemos o alargamento da ADSE a todos os portugueses que o queiram. Ajudaria financeiramente o sistema e levantava um bocado a pressão que o Serviço nacional de Saúde tem actualmente.

É como na edução. Somos defensores nos contratos de associação, desde que o custo seja controlado. Em regra geral, o custo é mais baixo numa turma de contrato de associação do que uma no ensino público, como se viu aqui na Didálvi, La Salle, e Menino Deus.

 

Qual a sua posição sobre a Linha de Muito Alta Tensão e a reversão da reforma das freguesias?

Apoiámos a preocupação e a intervenção do CDS local sobre a Linha de Muito Alta Tensão.

Sobre a reversão das freguesias, tem que ser tratada logo à partida numa lógica municipal. Acho que a reforma em geral representou um progresso. Barcelos era apontado como um caso nacional, a existência das 89 freguesias, mas normalmente sem dimensão e capacidade de organização. A ideia é dar mais dimensão e capacidade de gestão nas freguesias. O problema só existe quando essa transferência não é acompanhada dos meios financeiros, coisa que acontece dos Municípios, que assumiram competências que não são acompanhadas dos respectivos envelopes financeiros e acabam por ser um logro e estrangulam os municípios.

Outra preocupação que temos é a justiça em termos de mobilidade. No distrito não temos situação minimamente comparál com as das grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que foram comparticipadas pelo Estado nos transportes públicos.

Devia haver uma área de gestão conjunta nos quatro municípios do quadrilátero, que não deixa de ser uma grande cidade dividida em quatro e deveria potenciar as sinergias entre si.

Autor: Pedro Granja
Quarta-feira, 02 de Outubro de 2019 - 11:41:27

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