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Pôr-se a jeito...

Artigo de opinião de Pedro Reis

No direito penal há um conceito denominado por “negligência consciente” que significa que um indivíduo ao praticar determinada conduta potencialmente criminosa, representou como possível o resultado ocorrido, mas confiou, não devendo confiar, que ele não se verificaria. No fundo é aquilo a que, na gíria popular, se chama de “pôr-se a jeito”.

Este termo tem estado muito em voga devido aos comentários que têm sido proferidos, nomeadamente pelo primeiro ministro António Costa, relativamente aos casos e “casinhos” ocorridos no governo. Quando se nomeia para subdirectora-geral de veterinária uma pessoa que foi condenada por corrupção, ou quando se nomeia como secretária de estado uma pessoa que tem contas bancárias arrestadas no âmbito de um processo crime, temos de aceitar como bastante provável que serão infligidos danos políticos ao governo, logo que essas situações sejam tornadas públicas, como foram.

Foi exactamente uma situação destas que levou a que o Partido Socialista perdesse as últimas eleições autárquicas, ao aceitar candidatar a Presidente da Assembleia Municipal alguém que tinha sido detido no âmbito de um processo judicial.

Infelizmente, o PS parece não aprender com os seus erros. É que, na última reunião da comissão política concelhia decidiu nomear para coordenador autárquico uma pessoa que, não só se tem visto confrontado com suspeitas de irregularidades ocorridas na Junta a que preside (foi já aprovada uma auditoria à actividade da Junta de Carapeços, com o secretário da junta a ameaçar que vai  fazer uma participação junto do Ministério Público) e que, em última análise, pode mesmo levar à queda do executivo da freguesia, como também foi suspenso de militante do PS, pelo período de um ano, estando, porém, essa decisão a ser objecto de recurso.

Ou seja, a pessoa que o PS indicou para, supostamente, preparar a estratégia que permita ao Partido vencer as próximas eleições autárquicas, é alguém que, nos próximos meses, pode estar confrontado com sérios problemas, nomeadamente judiciais, na sua junta de freguesia, como pode mesmo perder, mesmo temporariamente, a sua condição de militante do PS, com todos os efeitos nefastos que esses factos acarretam.

Sinceramente, tenho gostado da postura do Nuno Martins a fazer oposição ao executivo camarário, não tendo vergonha de apontar os erros, mesmo aqueles que vêm de trás, como é a questão da ciclovia. No entanto, parece-me que o líder do PS local e o próprio Partido, ao nomearem Armindo Vilas Boas como coordenador autárquico, estão a “pôr-se a jeito”. E já nem estamos a falar de “negligência consciente”; já é mesmo “negligência grosseira”.

Opinião

Pedro Reis
09 de Fev de 2023 0

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