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Legitimidade e crítica das opções políticas

Artigo de opinião de Armindo Vilas Boas

Um dos temas principais da governação autárquica, mas também nacional, tem a ver com os investimentos em obras estruturantes ou que sejam consideradas fundamentais num contexto de desenvolvimento sustentável e de longo prazo. Este tema é sempre objecto de intensos debates face às opções tomadas pelos governos, havendo casos em que as discussões nunca acabam e de investimentos que nunca avançam.

Os governos têm sempre a legitimidade política que lhes foi conferida pelo povo para fazer as opções e para tomar as decisões que melhor entendem para a execução dos seus programas. Por exemplo, o atual executivo camarário optou por dar continuidade ao projeto das ciclovias e está a executá-lo, como, aliás, fez com outras obras lançadas pelo anterior executivo do PS, como a reabilitação da EM 505. Já sobre a Avenida dos Combatentes entendeu mandar fazer um novo projeto e também optou por transferir fundos comunitários de uns projectos para outros. 

Mas ao tomar as suas legítimas opções, a Câmara assume a responsabilidade de responder por elas, uma vez que, em democracia, a legitimidade de quem governa não é superior à legitimidade  de quem questiona. 

Ora, a essa luz, devem ser pedidas à Câmara explicações não só pela execução dos factos que lhe interessam do ponto de vista político, mas também das coisas que faz questão de omitir: como as obras que “não atam nem desatam” (exemplo: o  Mercado Municipal), a abertura da Casa Ascenção Correia, o investimento no parque escolar, os projetos ambientais, a deliberação dos 300% para as freguesias (que o actual Presidente da Câmara apresentou e aprovou em reunião extraordinária por ele convocada, em 2020), promessa dos seis meses para resolver o problema da concessão da água e, de uma maneira geral, as dezenas de promessas que o actual Presidente tão eloquentemente enumerou no seu discurso de tomada de posse...

Não cremos que esta atitude da Câmara, de propaganda por um lado e de omissão por outro, seja a melhor para o nosso concelho e para os barcelenses.

Barcelos precisa de uma política coerente de investimentos e de decisões que correspondam às necessidades efectivas das pessoas, no presente e no futuro. Esta é a melhor propaganda que pode fazer e sem necessidade de omissões!

Ora, como investimentos estruturantes e desejados pelos barcelenses, já aqui defendemos a urgência da construção da Ecovia do Cávado, cujos 22 quilómetros alterariam por completo a ligação ao Rio Cávado e, no mínimo, igualávamos os municípios vizinhos neste tipo de infraestruturas ambientais e de forte impacto turístico e patrimonial.

Do mesmo modo, defendemos a construção de um parque de estacionamento subterrâneo na cidade, em moldes diferentes da proposta atabalhoada do PSD, de 2009, de forma a alterar profundamente a organização da cidade, respondendo eficazmente às necessidades das pessoas e permitindo igualar, no mínimo, os municípios vizinhos quanto ao estacionamento e fluidez automóvel, numa lógica de convivência com a rede ciclável.

Estes são apenas dois exemplos de investimentos estruturantes, que há muito deveriam ter estado no topo das opções políticas municipais, mas que, infelizmente, nunca estiveram julgando que outras opções, pontuais e menos trabalhosas seriam mais rentáveis politicamente. Não o são, nem para os barcelenses nem quando nos comparamos com os municípios vizinhos. 


Opinião

Armindo Boas
16 de Fev de 2023 0

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