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O tempo corre… e as/os políticas/os demoram

Artigo de opinião de Vitor Hugo Faria

Estamos em tempos de bom tempo, o que é propício ao período de férias que para uns já se iniciou e que para outros se avizinha. Para o bem de todos, era muito útil que nesta silly season, a que corresponde este período estival, fosse promovido um sério balanço do executado e ponderado o “estado da arte” dos grandes desígnios cá da terra.

Antecipando, e tentando ajudar, estão volvidos praticamente dois anos de mandato dos eleitos locais e apenas a muito custo se conseguem identificar resultados objetivos das políticas. 

A este respeito e de acordo com as grandes prioridades de Barcelos, sublinho que: (i) a atenção especial ao rio Cávado até pode existir, mas ninguém a sente; (ii) as obras da margem do Cávado, nem vê-las; (iii) o fecho da circular urbana está tudo menos fechada; (iv) a erradicação dos caminhos em terra batida (ainda que em curso) está bastante empoeirada; e (iv) as iniciativas de apoio à terceira idade e daqueles que mais precisam parecem esquecidas. 

Ainda que não consiga ser muito construtivo na identificação das causas destes atrasos, fico com a perceção de que estes foram influenciados pela falta de atenção às medidas de política pública que se pretendem implementar, em virtude das inúmeras (acumulações e) distrações que parte dos atores políticos locais se veem confrontados com alguma frequência. 

A este respeito, e sem querer recuar ainda mais no tempo, a realidade do último ano foi profícua em casos e casinhos, sendo que Barcelos tem estado bem na crista da onda, em virtude de alegados amiguismos e caciques que colocam um conjunto de ações sob uma neblina difícil de dissipar. 

Neste contexto, se nuns casos a justiça já se pronunciou - até mais do que uma vez -, noutros, em virtude da morosidade da investigação, tem mesmo contribuído para julgamentos em praça pública (e em horário nobre) e em circunstâncias jurídicas e processuais que não devemos admitir num Estado de Direito.

Porém, pouco importa se isso resulta de um verdadeiro cocktail de frutas ou apenas de um espetáculo de variedades, o que sabemos é que, com frequência, temos os nossos eleitos locais envolvidos em contextos que não orgulham aqueles que se identificam e se relacionam com Barcelos. 

Toda esta situação contribui para que se instale uma dúvida razoável sobre a idoneidade política dos visados e para um risco reputacional do concelho e da nossa região, o que prejudica uma adequada gestão da coisa pública e coloca em causa a credibilidade dos órgãos representativos do município.

Deste modo, para o bem de todos, esperemos que a próxima metade deste mandato beneficie de um contexto mais favorável, atendendo a que é necessário acelerar a execução dos objetivos e das prioridades definidas para o nosso concelho. É preciso acertar agulhas nos processos em curso e determinar, de forma clara, os procedimentos técnicos inerentes a cada iniciativa de política que urge concretizar.

Assim, fazendo aqui uma analogia com o mundo futebolístico, estas semanas deveriam propiciar uma avaliação da temporada passada, com vista a redefinir metas, redirecionar recursos existentes e, quem sabe, equacionar substituições e reforços nas respetivas equipas, para que se possa iniciar, de forma plena, a próxima época.

Opinião

Vitor Faria
03 de Ago de 2023 0

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