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As eleições no Gil

Editorial assinado por Francisco Fonseca, diretor do Barcelos Popular

Há 40 anos que o Gil Vicente não tinha eleições com mais de uma lista. O fenómeno é bem-vindo, pois trata-se de um sintoma de democracia e revela o interesse que o clube começa a despertar para a cidade e, principalmente, pelos mais novos.

Na história do Gil, o sucesso ou insucesso sempre estiveram ligados à forma como os barcelenses participaram ou não na sua vida quotidiana. Nos momentos difíceis, quando se perdia e não havia dinheiro, a cidade não se mobilizava o suficiente para lhe acudir à aflição. Nessa altura, era preciso que algumas das personalidades da terra se disponibilizassem para encontrar uma direcção que se responsabilizasse pelo Gil. Recorde-se das vezes que grupos de gilistas, desesperados, se dirigiam à Câmara a pedir ajuda para encontrar uma solução. 

Nesses tempos, tudo era difícil. Os orçamentos, apesar de insignificantes relativamente aos de hoje, eram uma dor de cabeça para que um punhado de abnegados sócios pudesse suportar as contas do clube e permitir que o Gil continuasse a competir nos escalões a que tinha direito. Não havia direitos televisivos, muito menos os patrocínios e a publicidade de hoje.

Barcelos é um concelho com uma economia assente no têxtil. E foi a vontade de muitos empresários deste sector que, nas décadas de 80 e 90, quando viram as suas empresas crescer decidiram liderar o clube. Sem essa gente, gilistas de nascença e paixão, o clube não teria sobrevivido às inúmeras dificuldades com que se viu confrontado, e não estaria no lugar em que hoje se encontra. Esse sucesso deveu-se a gente como António Caravana, João Trigueiros, António Fiúza, Abílio Martins, Francisco Dias da Silva e tantos outros. Tantas vezes estes gilistas abdicaram das suas horas de lazer, de convívio familiar e do tempo que precisavam para se dedicarem às suas empresas para que o Gil vingasse nos seus objectivos. Temos que os recordar porque os sócios devem-lhes um bom pedaço da história do clube. Nunca deveremos ser ingratos para com esta gente, pois muitos deles salvaram o Gil Vicente com o seu próprio dinheiro. Não fosse essa disponibilidade e o clube tinha baqueado muitas vezes. 

É uma história longa e complexa para aqueles que puseram de pé o sonho do Gil. Neste momento de decidir o seu futuro, não podemos deixar de afirmar que ganhe quem ganhar será sempre a democracia a vencer.

Hoje, o clube assumiu uma dimensão considerável, uma dinâmica invejável, por isso é preciso saber que nem tudo são rosas. É preciso capacidade de gestão, financeira e de liderança.

Opinião

Francisco Fonseca
01 de Fev de 2024 0

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