Há acontecimentos que, de tão distantes, parecem irreais. Como se o fuso horário servisse também para adormecer consciências. Enquanto as sirenes soam entre o Irão e Israel e colunas de fumo substituem horizontes, o resto do mundo debate oscilação cambial, festividades locais ou o menu do próximo fim de semana. Não se trata de frieza, mas de uma anestesia gradual, um mecanismo de sobrevivência que, ironicamente, nos desumaniza.