
Entre ruído e verdade
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"Porque essa prática de assinar projectos sem verdadeiramente os terem concebido e realizado contribuía para uma má qualidade da construção"
Foi prática corrente, há alguns anos atrás, a assinatura de projectos para o licenciamento de moradias, por técnicos credenciados, a pessoas que reunindo alguns conhecimentos de desenho para a representação das casas, não eram, contudo, licenciados. A esta prática dizia-se, eufemisticamente, fazer projectos para os amigos. Nem sempre isto corria muito bem, pois os chefes das Finanças, sem querer saber daquela amizade, tinham o poder legal de presumir o valor dos honorários que seriam devidos nesses actos e assim cobrarem o correspondente imposto. Porque essa prática de assinar projectos sem verdadeiramente os terem concebido e realizado contribuía para uma má qualidade da construção, foi a Lei aos poucos, exigindo maior responsabilidade e maior atenção dos técnicos quer na elaboração dos projectos, quer no acompanhamento das obras. Hoje o caderno legislativo da construção atingiu proporções tais que se caiu no extremo oposto. Já só técnicos muito especializados e muito "credenciados" podem assinar esses projectos. E a exigência dessas especialidades é tão grande que já é muito difícil disponibilizar tempo para fazer projectos "de borla"...aos amigos. A constatação do empenho dos legisladores na criação de leis cada vez mais exigentes para a obtenção de casas melhor construídas, mais cómodas, mais saudáveis, leva a concluir que antes o processo estava mal. Muita ignorância, muita irresponsabilidade, muito má construção, muito aproveitamento, de alguns, dessas águas turvas. Mas, apesar de tudo, a Generosidade e a Amizade, são virtudes que se devem sempre enaltecer.
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