
Entre ruído e verdade
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Ouvimos muitas explicações e análises políticas sobre o Estado Social, sobre os pecados dos governantes que levaram a este estado de coisas, mas não vemos os pecadores a querer mudar de rumo.
Neste mês de Dezembro a maioria da população portuguesa celebra o Natal e o nascimento de Jesus. Porém, contraditoriamente, uma grande parte gasta sobretudo o seu tempo e dinheiro, de forma egoísta, em bens materiais e em actividades consumistas.
Assiste-se ao incremento de acções meritórias, de solidariedade social e de sensibilização de todos em favor dos menos favorecidos. Discute-se acaloradamente a diferença entre caridade e solidariedade social, o Estado Social e os seus actores, em vez de se avançarem com acções concretas e medidas de gestão do Estado que visem, de forma duradora a preservação, a dignidade das pessoas e a criação de uma sociedade justa, livre e solidária.
Confunde-se tudo, para tudo ficar na mesma. Continuarão os mesmos, no resto do ano, a desenvolver, através das diversas instituições assistenciais, as actividades necessárias e urgentes para suprir as carências dos quase três milhões de cidadãos portugueses que estão entregues praticamente à sua má sorte. Esta luta não chega, mas merece ser incansavelmente apoiada.
Ouvimos muitas explicações e análises políticas sobre o Estado Social, sobre os pecados dos governantes que levaram a este estado de coisas, mas não vemos os pecadores a querer mudar de rumo.
Aliás, antes assistimos a um discurso em que explicam a má gestão e as medidas gravosas para os cidadãos com o facto destes viverem em pecado, por gastarem acima das suas possibilidades.
É claro que ao cidadão comum só resta ter a paciência de um santo, para aturar estes dislates verbais, que revelam que os nossos governantes não preenchem os requisitos para serem algum dia canonizados.
E para aqueles santos de pau carunchoso que tal afirmam o cidadão comum deverá encontrar um remédio santo, de modo a que no futuro, muito próximo, sejamos governados por pessoas efectivamente virtuosas e de conduta exemplar.
De nada valerá aos pecadores pedir perdão, pois mesmo que peçam para lhes perdoarmos, porque não sabiam o que faziam, ainda assim não lhes resta a humildade necessária para se retirarem voluntariamente. E, infelizmente, em 2013 irão persistir e tentarão até auto-proclamar-se santos.
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