
Entre ruído e verdade
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"A linha contínua e a passadeira foram as soluções encontradas para minorar os problemas de sinistralidade no local".
A semana passada esteve em Barcelos uma comitiva do Governo Civil de Braga e do Poder Central com 21 pessoas, incluindo autarcas e assessores de autarcas. Todos juntos para inaugurar uma linha contínua e uma passadeira junto a uma rotunda existente em Vila Seca e que está sinalizada como um dos principais pontos negros rodoviários do distrito.
A linha contínua e a passadeira foram as soluções encontradas para minorar os problemas de sinistralidade no local.
O acto revelou-se simbólico e ridículo. Ridículo pela forma como se sustentou uma cerimónia pública cuja necessidade se dispensava; simbólico porque ajuda a perceber quanto custam ao Orçamento de Estado as clientelas partidárias.
E, neste caso, os responsáveis deixaram margem para uma pequena reflexão sobre a urgência em acabar com os governos civis que deixaram de ter a utilidade de outrora. Senão vejamos. Que função tem hoje este organismo que diz representar o Poder Central nas regiões? Passa os passaportes que a Loja do Cidadão emite; aprova licenças para instalação de estabelecimentos comerciais, nada que as câmaras não possam fazer; ratifica as coimas que as autoridades policiais passam nas estradas do distrito e que o comando da GNR poderia fazer; publica estatísticas sobre a economia das regiões, que tantos organismos compilam e colocam na Internet.
Num tempo em que se cortam salários, subsídios de desemprego, apoios sociais aos mais humildes, sobem os preços dos medicamentos e os impostos sobre produtos de primeira necessidade é ridículo e injusto manter tais clientelas partidárias.
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