
Entre ruído e verdade
Por ocasião do 60.º Dia Mundial das Comunicações S...
"Acreditamos mesmo que a Câmara terá razões que nos escapam para escolher um candidato com qualificações que nada têm a ver com o lugar em aberto".
Toda a gente sabe que as políticas de contratação de pessoal de muitos organismos públicos, em particular das Câmaras Municipais, assentam mais no compadrio e no amiguismo do que na competência ou habilitações dos candidatos aos cargos que são postos a concurso.
A lei, com mais buracos do que um queijo suíço, contorna-se com facilidade e é frequente a abertura de lugares tão direccionados que só permitem a candidatura de um concorrente. No entanto, como não é fácil fazer prova desses abusos, a mais das vezes as queixas caem em saco roto.
Não querendo generalizar – até porque isso seria uma injustiça para a seriedade de uma meia dúzia de dirigentes políticos que fazem questão de exercer com honorabilidade o cargo para que foram eleitos – a verdade é que muitas das contratações de pessoal estão, à partida, inquinadas de desconfiança.
É o caso do concurso, recentemente aberto pela Câmara Municipal de Barcelos, para a contratação de um técnico a quem se exige a licenciatura em Filosofia para exercer um cargo na área do turismo.
Não se duvida da legalidade do acto, nem sequer temos razões para desconfiar de algum favor que tenha de se pagar a terceiros para justificar a contratação de um técnico que, por formação académica, terá tantas competências para ocupar o lugar como um engenheiro mecânico ou um pedreiro.
Acreditamos mesmo que a Câmara terá razões que nos escapam para escolher um candidato com qualificações que nada têm a ver com o lugar em aberto. Mas se assim é, convém esclarecer com clareza o eleitorado barcelense, sob pena de – não o fazendo – vir dar razão à desconfiança e ao descrédito público.
Não se exige muito. Apenas transparência.
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